Irrelevância Crónica

21/12/2024

Espremedora Implacável

O que é que é um conjunto de habitantes negros, a caminhar na Antártida, do ponto de vista de um satélite? A minha testa.

A minha testa para além de punchline, é também saco de pancada, uma vítima de ataques terroristas frequentes. É esse o terrível assunto que lhe trago hoje e que me leva a colocar as seguintes questões: Que moda vem a ser esta da maioria das mulheres se deleitarem por rebentar borbulhas e espremer pontos negros? Nunca ouviram falar em plástico bolha? É que não só é mais divertido como inflige menos sofrimento aos demais.

Percebo que sentir prazer enquanto se causa dor e transtorno a outra pessoa, via aperto de um pedaço de pele, utilizando duas lâminas que se encontram na finalidade das falanges, de forma a causar uma explosão de um líquido cor de ‘Minion’ na parte ântero-superior da cabeça, seja um comportamento muito saudável. Na ótica de que tudo o que é saudável também causa sofrimento: exercício físico, legumes, sobriedade, etecetera. Porém, os homens — que são a maioria das vítimas — já sofrem com isso há tempo suficiente. 

Está na hora de começar a falar deste problema que afeta milhões. É preciso retirar as espinhas do peixe. Fazer borbulhar a água da panela. Colocar os pontos — negros — nos “i’s” e, acima de tudo, não rebentar a bolha acerca deste assunto. Muitos homens vivem atormentados pelas maníacas escarafunchadoras, essa tormenta tem de acabar. 

Não basta a vida difícil que nós, homens, levamos por carregar o peso de um órgão genital externo com formato de banana, e por tudo o que esse órgão representa na sociedade, ainda temos de sofrer às mãos do sexo oposto?

Sinceramente, não me sinto confortável em aproximar a cara perto de uma mulher, pois o seu olhar move-se em direção à minha testa, assim que os meus olhos descem para reparar no seu possível buço. 

 Que inferno. Não consigo passar um dia com a minha namorada, sem que ela tente fazer da minha testa um jogo de caça à toupeira, mas em vez de caçar mamíferos com um martelo, caça o porífero com unhas de gel. 

A cara não é a única que sofre. Quando eu tiro a t-shirt ela fica com a mesma excitação de um youtuber gamer que descobriu diamantes no Minecraft — mas não pelas razões que eu gostaria. As minhas costas sofrem constante sobre-exploração, tal como as minas do Minecraft. A questão é que ao menos o youtuber vai utilizar os diamantes para construir uma espada para matar zombies, a minha namorada não. A minha namorada é ela própria o insaciável zombie da acne, e eu nem uma espada de madeira tenho.

O pior é que ao mostrar o meu desagrado e aflição em receber tão vil tratamento, a reação dela passa por menosprezar a minha dor e chamar-me de “Mariquinhas”. Mas comigo não tem hipótese. Respondo-lhe sempre à altura, depois de limpar as lágrimas da face e passar creme na zona inflamada.

Em representação e reconhecimento deste problema, existe uma citação de um poeta muito conhecido, por mim, que sou o autor da seguinte frase:

 “O homem sofre, a borbulha nasce, a mulher espreme, o homem sofre, e o ciclo segue. “

Posto isto, deixo a seguinte mensagem às mulheres que têm um fetiche por rebentar furúnculos, espinhas, borbulhas, pontos negros, bolhas e afins: Respeitem o desejo do espremido e cessem as escavações, caso o sujeito se sinta desconfortável. Da mesma maneira que nós, os homens decentes e ouvintes, respeitamos e apoiamos as vossas lutas sobre coisas e tal.

Estrague o dia a mais alguém.
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